segunda-feira, 21 de julho de 2008

não era a sério, era assim quase a fingir. agora já não faz mal, parecemos todos soldadinhos de chumbo, somos todos de brincar, mas não sabemos rir.
e depois da história acabar é que acendem as luzes? nunca entendi esta maneira errada de voltar. já é tarde e eu devia estar a dormir, dizem as boas regras que nunca cumpro. só o dizer bom-dia é uma regra bonita. e também outras coisas como não pisar as flores e ser gentil com os velhos.
o dia que eu mais gostei do mundo foi quando desenhei um arco-íris na parede do meu quarto. claro que a minha família não percebeu nada e decretaram-me um castigo a cinzento.
sempre quis saber qual exactamente a cor do vazio. às vezes fecho os olhos com muita força, penso que assim é vazio, mas estou só a ver para dentro do que não vejo e depois tudo isto me confunde e nunca sei exactamente onde estou, se existo de fora para dentro, se a pele começa para o lado de fora ou para o lado de dentro.
se a pele começa para fora o mundo é tão perto que assusta. mas se a pele começar para dentro podemos perder-nos e ficar tão sozinhos que perdemos a voz.

terça-feira, 15 de julho de 2008

anamnese

o tipo de acordo feito com o passado pode ser tão devastador como um acidente vascular cerebral. de tanto te querer lembrar, esqueci-me como eras de verdade. de memória passaste a ficção e daí para a irrelevância.

lavandaria

as ruas ficaram perdidas dos mapas e a cidade arrumou-se, límpida como nunca antes.
a nós sobra-nos apenas a roupagem dos exilados. as malas estão repletas, palavras recolhidas e a salvo de segredos inconfessáveis, ínfimas coisas que nos despovoam do grande e universal sentido que nunca tivemos.
é tão fácil ser incorrupto quando a matéria de que somos feitos é só cansaço.